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11/12/2015 - 16h10m

Programa de inclusão digital de AL atende mais de 30 mil pessoas

DigitAlagoas tem por objetivo principal promover a inclusão digital através da construção de telecentros

Programa de inclusão digital de AL atende mais de 30 mil pessoas

Conhecimento em informática é passado com o uso de software livre nos 47 telecentros instalados no estado através do programa Digit@lagoas - Foto: Adailson Calheiros

Conhecimento em informática é passado com o uso de software livre nos 47 telecentros instalados no estado através do programa Digit@lagoas

 

As pessoas estão cada vez mais conectadas. São aparelhos de celular inteligentes, tablets, notebook e computadores de mesa mais e mais potentes. Viver sem internet hoje pode ser comparado, para muitos, como não saber ler a cem ou cinquenta anos atrás. Por isso, fomentar políticas públicas de inclusão digital, especialmente em um estado socialmente desigual como Alagoas, pode significar o acesso de milhares de pessoas com o futuro.

Diante dessa premissa, foi criado no estado através do Instituto de Tecnologia em Informática e Informação do Estado de Alagoas (Itec), em 2010, o DigitAlagoas. Esse programa tem por objetivo principal promover a inclusão digital através da construção de telecentros. Hoje são 47 unidades no estado, sendo 16 em Maceió, e já passaram por eles, aproximadamente 33 mil pessoas. O conhecimento em informática é passado com o uso de software livre.

Conforme explicou Robson Paffer, coordenador do DigitAlagoas, a prioridade é contemplar regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com foco na formação, em informática e profissional. “Também há a orientação para que o espaço seja aberto ao público em geral para o acesso à internet, porém a atividade principal é a formação. Temos vários casos de pessoas que conseguiram emprego ao saírem dos cursos ofertados nos telecentros”.

Para coordenador, inclusão digital deve ser mais estimulada nas escolas

Para Robson Paffer é preciso que a inclusão digital seja mais estimulada nas escolas, especialmente as escolas públicas. O coordenador do DigitAlagoas pontua que muitas delas estão com seus laboratórios de informática fechados e essa condição prejudica a formação intelectual dos estudantes, pois limita o acesso ao conhecimento científico e à informação.

“Uma vez, durante uma reunião com o governador, eu sugeri a criação de um projeto de lei para ter um orçamento próprio para os telecentros, assim a manutenção do projeto estaria garantida. Nós precisamos manter os que já estão implantados, dando mais estrutura para eles. Mas também criar novos, com bolsistas, pelo menos dois por telecentro. Hoje em dia, a informática traz um mundo de conhecimento. Ela está em todo lugar e as informações chegam muito rápido. Isso provoca uma grande facilidade em adquirir conhecimento. Basta colocar uma palavra-chave no buscador e aparecem mil sites falando sobre o assunto”, argumenta Robson.

(Foto: Sandro Lima)

Robson Paffer diz que muitas escolas estão com seus laboratórios fechados

Robson Paffer diz que muitas escolas estão com seus laboratórios fechados

A inclusão digital, para o coordenador do DigitAlagoas, auxilia não somente a formação das pessoas, mas também pode ser um instrumento de combate à violência, assim como o esporte.

“O sujeito ao invés de estar na rua estará fazendo um curso de informática ou profissional num telecentro. Depois que ele for incluído digitalmente, o interesse por adquirir conhecimento aparece e também as oportunidades de emprego. Uma vez, em Monteirópolis, num povoado de lá, quando chegamos para a instalação de um telecentro, as pessoas vinham nos dizer que estávamos levando oportunidade para elas”, diz Robson Paffer.

Por semana, mais de 200 pessoas frequentam o Instituto IBA

A reportagem da Tribuna Independente visitou o Instituto IBA, um dos 16 telecentros instalados em Maceió, localizado no Benedito Bentes. Nele, são ofertados cursos de informática básica e profissionalizantes. Por dia, frequentam o telecentro 44 pessoas, totalizando 220 por semana.

“Aqui só colocamos uma pessoa por máquina, ao contrário de outros lugares. Assim, eles assimilam o conhecimento com mais facilidade. Frequentam os cursos pessoas de todas as idades, nos três turnos que funcionamos”, explica Israel da Silva, instrutor e diretor do Instituto IBA.

Para ele, uma pessoa excluída digitalmente está mais isolada do mundo do que alguém que não frequentava a escola há 50 anos. Isso por que a internet está em todo lugar e lidar com ela é exigência onde quer que se vá, então não saber lidar com ela é uma exclusão da sociedade.

(Foto: Adailson Calheiros)

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“Aqui só colocamos uma pessoa por máquina”, diz Israel da Silva, do IBA

“Acesso à internet é indispensável e sem isso a pessoa fica ignorante. Como se pode não estar incluído digitalmente nos dias de hoje? Nosso caso concreto é de melhoria em rendimento escolar das crianças e jovens que frequentam o telecentro e também melhorias profissionais entre os adultos”, comenta Israel.

Quem faz uma análise parecida é Patrícia Pereira, instrutora do telecentro do Instituto IBA. Além do viés educacional e profissional, o telecentro tem sido procurado por famílias que querem evitar que seus filhos fiquem nas ruas.

“Temos muita procura por causa de exigências do mercado de trabalho. Enviamos os nomes dos formados para o Sine, assim facilita a busca por empregos. Além disso, é um reforço importante na escola. Muitas mães nos procuram para que seus filhos não fiquem na rua”, diz Patrícia.

Adriano Alves é conferente de transporte. Ele já havia feito um curso de informática há seis anos e resolveu atualizar seu conhecimento no telecentro do Instituto IBA, que já foi frequentado por sua esposa.

“Como não tenho acesso à internet, fiquei desatualizado. E também devo mudar minha função na empresa em que trabalho e vou precisar lidar mais com informática”, comenta Adriano.

Quem também está frequentado o telecentro do Instituto IBA é Roberta de Oliveira, mas para fazer um curso profissionalizante de auxiliar administrativo. Ela já possui dois cursos de informática.

“No momento estou desempregada e quando recebi um panfleto sobre os cursos ofertados aqui resolvi me inscrever. O que escolhi é muito caro e aqui o faço gratuitamente. Minha expectativa é sair daqui e conseguir trabalha nessa função”, diz Roberta.

Milhares de famílias ainda estão excluídas

Apesar do grande aumento de pessoas com acesso à internet, cerca de 40 milhões de famílias ainda estão excluídas digitalmente, segundo um levantamento realizado pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal divulgado no início deste ano. Esse número mostra que o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) precisa ser fortalecido para garantir a inclusão dessas milhares de pessoas.

Criado pelo decreto n.º 7.175/2010, o PNBL é gerenciado pelo ministério das Comunicações (Minicom) e tem como objetivo principal massificar o acesso à internet em banda larga no Brasil, especialmente nas regiões mais pobres. Para isso, a atuação do programa tem se dado em várias frentes, como a desoneração de redes e terminais de acesso, a expansão da rede pública de fibra óptica, administrada pela Telebras, e até mesmo no programa de desoneração de smartphones.

O Minicom também implementou a banda larga popular, com internet na velocidade de 1 Mbps ao valor de R$ 35 mensais, com impostos. A meta do Ministério, em relação à instalação da rede de fibra óptica, é atingir 70% dos municípios brasileiros até o final de 2018.

Segundo o ministro das Comunicações, André Figueiredo, durante primeira reunião dos ministros das Comunicações dos Brincs – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, realizada em Moscou no último mês de outubro, o acesso à internet tem se tornado um instrumento fundamental para a inclusão social no Brasil.

“O avanço da banda larga, que já alcança 94 milhões de brasileiros, foi impulsionado nos últimos anos, principalmente, pelos dispositivos móveis. Acreditamos que a expansão do uso da internet, observada com a massificação dos dispositivos pessoais, se repetirá, em maior escala, quando adentrarmos efetivamente a era da Internet das Coisas”, afirma o ministro.

 

Fonte:  Tribuna Independente 09 Novembro de 2015 /Carlos Amaral - colaborador

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